Está há dias sem poder rodar? Motorista com conta de app bloqueada tem caminho jurídico para reativar o acesso — e, em muitos casos, para receber pelos dias em que ficou impedido de trabalhar. Fale agora com um advogado do escritório.
Quando a plataforma desativa a conta de um motorista sem apresentar motivo comprovado e sem dar chance de defesa, cabe ação de obrigação de fazer na Justiça Comum estadual, com pedido de tutela de urgência para reativar o cadastro em poucos dias, sob pena de multa diária. No mesmo processo é possível pedir lucros cessantes — o que você deixou de ganhar — e, dependendo das circunstâncias, danos morais.
Por que resolvemos escrever sobre isso
Este escritório nasceu dentro de uma operação que atende motorista profissional há mais de 17 anos. Boa parte do que fizemos no Doutor Multas foi defender gente que vive de dirigir: motorista de app, caminhoneiro, taxista, entregador. Quem depende do volante para pagar as contas não tem margem para ficar parado — e isso vale tanto para uma CNH suspensa quanto para uma conta desativada de um dia para o outro.
E conhecemos essa sensação por dentro. Em 2025, a própria operação teve todas as contas de WhatsApp bloqueadas pela Meta, sem aviso e sem explicação. Mais de 100 mil clientes falavam com a gente por aqueles números. Tudo parou. Contratamos um advogado que não entendeu a urgência do caso, e a conta só voltou pela via judicial, depois de quase dois meses.
Guardadas as diferenças, o mecanismo é o mesmo: uma empresa de tecnologia corta o seu acesso por decisão automática, o suporte responde com texto pronto e não existe ninguém do outro lado para ouvir a sua versão. A diferença é que, no seu caso, a cada dia sem rodar o aluguel do carro segue correndo.
Aqui você vai ler sobre:
- Por que resolvemos escrever sobre isso
- O que realmente acontece com quem tem a conta bloqueada
- Por que os aplicativos bloqueiam contas de motorista
- Bloqueio, suspensão e descredenciamento: a diferença importa
- Conta de app bloqueada: o que fazer nas primeiras 48 horas
- A via administrativa: conteste, mas não pare aí
- Justiça Comum ou Justiça do Trabalho? O pedido é que define
- A tutela de urgência: o pedido que devolve a conta em dias
- Os argumentos jurídicos que sustentam o pedido
- O que os tribunais têm decidido
- Quando o juiz nega: os casos que perdem
- Indenização: lucros cessantes e danos morais
- As provas que você precisa juntar
- Onde entrar com a ação e quanto tempo demora
- Não deixe o prazo correr contra você
- E se o problema também for a sua CNH
- Como o escritório atua nesses casos
- Perguntas e respostas
- Conclusão
Uma observação antes de seguir: cada caso depende das provas e das circunstâncias. O que está aqui é o caminho jurídico consolidado e o que os tribunais vêm decidindo. Não é promessa de resultado, e nenhum advogado sério faz esse tipo de promessa.
O que realmente acontece com quem tem a conta bloqueada
Quem nunca viveu isso imagina um aborrecimento. Não é. O bloqueio costuma chegar no pior momento possível — de madrugada, no meio do turno, na véspera do vencimento da parcela.
O aplicativo simplesmente para de aceitar você. Aparece uma mensagem genérica, algo como "sua conta foi desativada" ou "identificamos atividade que viola nossos termos", e o botão de ficar online some. Nenhuma linha explicando o que você fez, quando fez, quem reclamou.
Aí começa a parte que ninguém vê. O carro alugado continua custando de seiscentos a mil e duzentos reais por semana, bloqueado ou não. A parcela do financiamento vence do mesmo jeito. O saldo que ficou na carteira do app às vezes fica retido junto com a conta. Quem tinha uma meta semanal para fechar as contas de casa descobre que a meta virou dívida.
O suporte não ajuda. É chat automático, resposta padronizada, promessa de análise que não volta. Muita gente passa semanas mandando mensagem para ninguém.
Tem também o lado que não aparece na planilha. Ser acusado de fraude sem saber do quê, ficar sabendo que uma denúncia anônima de passageiro derrubou dez anos de cadastro, explicar em casa que não vai ter dinheiro essa semana — isso desgasta. Nos casos que chegam até nós, o motorista quase sempre pergunta a mesma coisa antes de qualquer coisa jurídica: "eu fiz alguma coisa errada e não percebi?"
Normalmente não fez. E a plataforma, quando é chamada a explicar em juízo, muitas vezes não consegue demonstrar o que alega.
Tentar recomeçar também não resolve. Abrir cadastro novo esbarra no mesmo CPF, e insistir nisso pode reforçar a versão da empresa de que existe irregularidade ali. O caminho é outro.
Por que os aplicativos bloqueiam contas de motorista
As plataformas operam com sistemas automatizados de detecção. Um sinal considerado suspeito dispara o bloqueio, e a revisão humana — quando existe — vem depois, se vier.
Os motivos mais comuns nos casos que vemos:
- Denúncia de passageiro ou cliente, muitas vezes uma só, às vezes vinda de quem ficou irritado com uma recusa de corrida ou uma cobrança de taxa.
- Queda na nota de avaliação, que em algumas plataformas leva ao descredenciamento automático.
- Suspeita de fraude gerada por algoritmo: padrão de aceite considerado atípico, corrida cancelada com frequência, GPS oscilando.
- Cadastro duplicado ou compartilhamento de conta, incluindo casos em que outra pessoa usou os dados do motorista.
- Falha no reconhecimento facial, com a selfie de verificação recusada repetidamente.
- Checagem de antecedentes, que às vezes puxa registro de homônimo ou apontamento antigo e irrelevante.
- Documentação vencida ou divergência cadastral do veículo.
Repare no ponto comum: quase nenhum desses motivos é comunicado ao motorista com nome, data e detalhe. O bloqueio vem primeiro, a explicação não vem nunca, e essa opacidade é justamente o que pesa contra a plataforma quando o caso chega ao Judiciário.
Bloqueio, suspensão e descredenciamento: a diferença importa
As três palavras aparecem misturadas no dia a dia, mas mudam a estratégia.
| Situação | O que costuma significar | Reação recomendada |
|---|---|---|
| Suspensão temporária | Restrição por período definido, em geral com prazo informado | Contestar no app e documentar tudo |
| Bloqueio | Acesso impedido sem prazo, "em análise" que não termina | Contestar e preparar a via judicial em paralelo |
| Descredenciamento | Encerramento do cadastro, tratado pela empresa como definitivo | Via judicial, normalmente com pedido liminar |
O descredenciamento é o mais grave porque a plataforma o apresenta como irreversível. Só que "permanente" na tela do aplicativo não vincula juiz nenhum. Há decisões reativando cadastros que a empresa tinha dado por encerrados em definitivo.
Conta de app bloqueada: o que fazer nas primeiras 48 horas
A pressa aqui tem uma razão prática e uma razão jurídica. A prática é óbvia: cada dia parado é dinheiro que não volta. A jurídica é menos conhecida — quem demora a reagir enfraquece o próprio pedido de urgência, e voltaremos a isso adiante.
Registre tudo antes que suma. Print da mensagem de bloqueio com data e hora, print do histórico de corridas ou entregas, print da nota de avaliação, extratos de repasse dos últimos meses. Algumas plataformas restringem o acesso ao histórico depois da desativação. O que você não salvar hoje pode não estar disponível amanhã.
Não abra conta nova. É tentador, e costuma piorar a situação.
Não assine nada que a plataforma mande sem ler. Acordos de encerramento podem incluir quitação de valores que você ainda tem direito a discutir.
Acione o canal oficial de contestação e guarde o protocolo. Mesmo sabendo que a resposta provavelmente será automática.
A via administrativa: conteste, mas não pare aí
Todas as grandes plataformas têm um canal de recurso. Use, porque às vezes funciona e é o caminho mais rápido e barato. Mas use com relógio na mão.
Existe um pedido pouco explorado que vale fazer por escrito: a revisão da decisão automatizada, prevista no art. 20 da Lei Geral de Proteção de Dados. Se o bloqueio decorreu de um sistema automático — e quase sempre decorre —, você tem direito de solicitar revisão e pedir informações sobre os critérios utilizados. Some a isso o art. 18 da mesma lei, que garante ao titular o acesso aos seus dados.
Na prática, dois cenários. A empresa responde com alguma informação concreta, e você passa a saber contra o que está se defendendo. Ou a empresa ignora, responde com texto genérico e não apresenta critério nenhum — e esse silêncio, documentado, vira um argumento forte na petição inicial. Uma plataforma que não consegue explicar por que bloqueou tem dificuldade em sustentar depois que o bloqueio era legítimo.
O erro que a gente cometeu na própria pele foi apostar demais na via amigável. Tente, mas prepare a ação ao mesmo tempo. Se a plataforma resolver antes, ótimo, você não precisa ajuizar nada.
Justiça Comum ou Justiça do Trabalho? O pedido é que define
Muito motorista chega achando que precisa de uma ação trabalhista. É aqui que a estratégia costuma se perder, e o esclarecimento economiza meses.
Existem decisões nos dois ramos, e a divergência é real. Mas ela não é aleatória: o que define o tribunal competente é o pedido que você faz.
Se você quer apenas a conta de volta e a indenização pelos dias parados, sem discutir vínculo de emprego, o caminho é a Justiça Comum estadual. O Superior Tribunal de Justiça fixou esse ponto no Conflito de Competência nº 164.544/MG, julgado pela Segunda Seção em agosto de 2019, sob relatoria do ministro Moura Ribeiro: a pretensão nasce do contrato civil de intermediação digital, e não de discussão sobre relação de emprego. Em dezembro de 2024, a Terceira Turma reafirmou no REsp 2.144.902, relatado pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O mesmo raciocínio já foi aplicado a entregador: em conflito envolvendo o iFood, o STJ qualificou a relação como eminentemente civil e declarou competente a Justiça Estadual.
Do outro lado, a Quinta Turma do TST reconheceu, em 2023, a competência da Justiça do Trabalho para julgar ação de motorista bloqueado sem comunicação prévia, por entender que a demanda decorre de relação de trabalho, ainda que autônoma. Esse entendimento existe e sustenta condenações — inclusive com reativação de conta e lucros cessantes.
Nossa recomendação é adotar a Justiça Comum como regra, por três razões práticas. Quem dá a última palavra em conflito entre os dois ramos é o STJ, e ele já se posicionou. O próprio TST vem sinalizando na mesma direção em julgados recentes sobre descredenciamento, assim como o TRT da 7ª Região, que em julho de 2026 declinou da competência em caso de reativação de conta. E o custo do erro é assimétrico: se a competência for declinada meses depois, a liminar cai junto, o processo recomeça e o prejuízo continua correndo.
A exceção é legítima e precisa ser dita: se o seu caso é de vínculo de emprego, com verbas trabalhistas, aí é Justiça do Trabalho mesmo. São objetivos diferentes, e misturar os dois na mesma petição é o que costuma travar tudo.
Vale separar isso de uma outra discussão, que confunde muita gente. O Supremo Tribunal Federal analisa no Tema 1291 (RE 1.446.336, da Uber, e a Reclamação 64.018, da Rappi) se existe vínculo de emprego entre plataformas e trabalhadores. O julgamento vem sendo adiado desde outubro de 2025 e, até o momento, nenhum ministro proferiu voto de mérito. Desconfie de quem afirma que a questão já foi decidida.
O que interessa para quem está com a conta bloqueada é isto: a sua ação de reativação não depende desse julgamento. Ela corre na Justiça Comum, com fundamento contratual, e pode ser ajuizada hoje.
A tutela de urgência: o pedido que devolve a conta em dias
A tutela de urgência, prevista no art. 300 do Código de Processo Civil, é o coração da ação. Trata-se de decisão liminar, dada no início do processo, para que o juiz determine a reativação antes do julgamento final.
Dois requisitos precisam ser demonstrados. A probabilidade do direito aparece nos seus prints, no histórico limpo, na boa avaliação, na ausência de qualquer justificativa concreta da plataforma. O perigo de dano é a parte que o motorista costuma subestimar na hora de reunir documentos: não basta dizer que está sem trabalhar, é preciso mostrar. Extrato de repasses provando a renda que existia, contrato de aluguel do veículo, parcela do financiamento, comprovante de que aquilo é a sua fonte de sustento.
Concedida a liminar, o juiz costuma fixar prazo curto para cumprimento, com multa diária em caso de descumprimento. É essa peça que separa recuperar o acesso em dias de esperar a sentença por mais de um ano.
Os argumentos jurídicos que sustentam o pedido
Não existe um artigo de lei específico sobre bloqueio de conta de motorista. O que existe é um conjunto de dispositivos que os tribunais vêm aplicando de forma consistente:
| Fundamento | Como se aplica ao seu caso |
|---|---|
| Boa-fé objetiva (art. 422 do Código Civil) | Liberdade de contratar não autoriza excluir parceiro sem motivo demonstrado |
| Abuso de direito (art. 187 do Código Civil) | Rescindir o contrato de forma arbitrária é ato ilícito |
| Função social do contrato (art. 421) | O contrato envolve a subsistência de quem presta o serviço |
| Resilição unilateral (art. 473) | O encerramento abrupto de contrato de execução continuada tem limites |
| Ônus da prova (art. 373, II, do CPC) | Quem alega violação dos termos de uso é quem precisa provar |
| Lucros cessantes (art. 402 do Código Civil) | O que você razoavelmente deixou de ganhar é indenizável |
| Revisão de decisão automatizada (art. 20 da LGPD) | Você tem direito a pedir revisão de bloqueio decidido por algoritmo |
O ponto do ônus da prova merece destaque, porque é o que costuma decidir o processo. Você não precisa provar que não cometeu a infração. É a plataforma que precisa demonstrar, com elementos concretos, o que motivou o corte. E, na maioria dos processos, ela junta apenas os próprios termos de uso e uma alegação genérica de "violação de políticas".
Há ainda uma discussão que vale conhecer. Alguns juízes aplicam o Código de Defesa do Consumidor à relação entre motorista e plataforma, com inversão do ônus da prova; outros entendem que o motorista é parceiro comercial, não consumidor, e resolvem tudo pelo Código Civil. O segundo caminho tem prevalecido, e é por isso que a petição bem construída sustenta o pedido pelas duas frentes, sem depender do reconhecimento da relação de consumo.
O que os tribunais têm decidido
Alguns casos reais, para sair do plano teórico:
TJ da Paraíba — Apelação Cível nº 0851654-78.2021.8.15.2001. A Quarta Câmara Cível, sob relatoria do desembargador Abraham Lincoln da Cunha Ramos, reconheceu que a suspensão foi arbitrária: a plataforma bloqueou o motorista por antecedentes criminais que pertenciam a um homônimo. O tribunal determinou a reativação da conta com restauração da pontuação e da classificação anteriores, condenou a empresa a danos materiais por lucros cessantes, calculados sobre os rendimentos médios antes do bloqueio, e a dez mil reais de danos morais. O acórdão registrou que a liberdade contratual da plataforma não é absoluta.
Distrito Federal — 99. Em ação movida por motorista bloqueado sem justificativa, o 4º Juizado Especial Cível de Brasília concedeu e confirmou a antecipação de tutela, determinando o desbloqueio imediato da conta sob multa diária, e condenou a 99 Tecnologia a lucros cessantes e danos morais. O caso ilustra uma situação frequente: a empresa alegou no processo que já havia desbloqueado o perfil, mas o motorista comprovou ter recebido comunicado de desativação permanente.
Plataforma 99. Motorista bloqueado sem aviso prévio e sem justificativa, com pontuação excelente, obteve tutela de urgência determinando o restabelecimento do acesso sob pena de multa diária.
Tribunais estaduais em geral. A linha que se repete nos acórdãos é direta: bloqueio sem demonstração da violação contratual é abusivo, a reativação se impõe, e o motorista bem avaliado que vive daquela atividade tem os requisitos da liminar a seu favor.
Quando o juiz nega: os casos que perdem
Seria fácil listar só as vitórias. Só que quem procura orientação jurídica precisa saber onde os pedidos naufragam — e nós preferimos dizer isso antes, não depois.
Demora em procurar a Justiça. Em 2026, um juizado de Cuiabá negou a tutela de urgência a um motorista com quase nove anos de plataforma e mais de dezoito mil corridas. O intervalo de mais de quarenta dias entre o bloqueio e a ação enfraqueceu a alegação de urgência. Se a situação fosse mesmo emergencial, entendeu o juízo, a reação teria sido imediata.
Falta de prova de que aquela era a fonte de renda. No mesmo caso, pesou a ausência de demonstração de que o motorista não podia trabalhar em outros aplicativos.
Plataforma que documenta apuração interna. Quando a empresa comprova que investigou, comunicou o motorista e abriu prazo de defesa antes de desativar, a chance de o juiz considerar o bloqueio exercício regular de direito aumenta bastante. Existem decisões nesse sentido no Rio Grande do Sul, em casos com registros consistentes de conduta inadequada.
Fato grave comprovado. Denúncia séria documentada, com elementos concretos, muda completamente o cenário.
A conclusão prática é simples: aja rápido e monte o caso com provas. É isso que separa os dois grupos.
Indenização: lucros cessantes e danos morais
São pedidos diferentes, com lógicas diferentes.
Os lucros cessantes são o cálculo mais objetivo do processo. Pega-se a média de ganhos dos meses anteriores ao bloqueio, extraída dos extratos de repasse da própria plataforma, e multiplica-se pelos dias de inatividade. Alguns tribunais aplicam um percentual sobre essa média, descontando custos que deixaram de existir, como combustível. Por isso os extratos são tão importantes: sem eles, o pedido vira estimativa e perde força.
Os danos morais dependem mais do caso concreto. Quando o bloqueio é arbitrário, prolongado e impede o exercício da atividade profissional, boa parte dos tribunais reconhece o abalo — especialmente quando há acusação implícita de fraude, sem prova, contra alguém com histórico limpo. Os valores nas decisões que analisamos costumam ficar na faixa de cinco a dez mil reais. Mas há decisões em sentido contrário, tratando o episódio como descumprimento contratual sem repercussão moral. Não é automático.
| Pedido | O que cobre | O que precisa demonstrar |
|---|---|---|
| Reativação da conta | Volta ao trabalho, com pontuação e histórico restaurados | Ausência de justificativa válida da plataforma |
| Lucros cessantes | O que você deixou de ganhar nos dias parado | Extratos de repasse e tempo de bloqueio |
| Danos morais | Acusação indevida e impedimento de trabalhar | Histórico limpo, duração do bloqueio, dependência da renda |
As provas que você precisa juntar
Quanto melhor a documentação, mais rápida tende a ser a liminar. O que faz diferença:
| Documento | Para que serve |
|---|---|
| Print da mensagem de bloqueio | Comprova o corte e a data exata |
| Histórico de corridas ou entregas | Mostra tempo de plataforma e volume de trabalho |
| Nota de avaliação | Evidencia boa conduta e enfraquece a versão da empresa |
| Extratos de repasse | Base de cálculo dos lucros cessantes |
| Protocolo da contestação no app | Comprova a tentativa administrativa e o silêncio da plataforma |
| Contrato de aluguel ou financiamento do veículo | Demonstra o custo fixo que continua correndo |
| Comprovantes de despesas da família | Reforça o perigo de dano no pedido de urgência |
Onde entrar com a ação e quanto tempo demora
A ação corre na Justiça Comum estadual. Se o valor pretendido couber no limite de quarenta salários mínimos, cabe Juizado Especial Cível, onde o processo tende a ser mais rápido e não há custas iniciais. Acima disso, vara cível comum.
A liminar costuma ser apreciada em dias — às vezes no mesmo dia, dependendo do juízo e da qualidade da petição. O processo inteiro, com discussão sobre indenização, leva meses. Mas a reativação, que é a parte urgente, não espera a sentença.
Sobre custo: varia conforme a complexidade e o valor atribuído à causa, e desconfie de quem promete preço fechado antes de olhar o seu caso. A conta que importa é outra — quanto custa cada semana parado, com carro e contas correndo.
Não deixe o prazo correr contra você
Um detalhe técnico que já derrubou pedido legítimo: a pretensão de reparação civil prescreve em três anos, conforme o art. 206, § 3º, V, do Código Civil. Existem acórdãos extinguindo ações de motoristas justamente por prescrição, sem sequer analisar se o bloqueio foi abusivo.
Quem foi bloqueado há dois anos e meio e vem adiando a decisão de procurar advogado está perto de perder o direito. E, como vimos, mesmo dentro do prazo a demora enfraquece o pedido de urgência.
E se o problema também for a sua CNH
Vale um alerta que faz parte do dia a dia de quem vive rodando. Bloqueio de conta e problema de habilitação costumam andar juntos: o motorista que acumula pontos, responde a processo de suspensão ou tem a CNH cassada perde o direito de trabalhar por outra porta.
E se o bloqueio atingiu também os seus canais de contato — o que acontece bastante com quem trabalha por indicação —, veja WhatsApp bloqueado ou banido: como recuperar a conta.
Como o escritório atua nesses casos
Nosso trabalho começa por uma análise honesta. Olhamos os prints, o histórico, a nota, o motivo alegado pela plataforma e o tempo decorrido desde o bloqueio. Se o caso for frágil, dizemos isso — é mais útil do que ajuizar uma ação que vai ser negada.
Sendo viável, o roteiro é o que está descrito neste artigo: formalização do pedido de revisão com base na LGPD, reunião das provas de renda e de custo fixo, e ação de obrigação de fazer com tutela de urgência bem fundamentada, incluindo pedido de multa diária e os pedidos de lucros cessantes e danos morais. Depois da liminar, o acompanhamento do cumprimento é tão importante quanto a decisão em si: plataforma que demora a cumprir precisa ser cobrada, e a multa precisa ser executada.
Atendemos em todo o Brasil, o que é possível porque o processo civil hoje tramita de forma eletrônica e as audiências dos juizados são majoritariamente por videoconferência.
Perguntas e respostas
O aplicativo pode bloquear minha conta sem dar motivo?
Na prática faz, e os termos de uso dão margem para isso. Mas quando a plataforma não comprova em juízo a violação que alega, os tribunais têm tratado a conduta como abusiva e determinado a reativação.
Preciso entrar na Justiça do Trabalho?
Se o pedido é só reativar a conta e ser indenizado, não: o STJ firmou que essa ação é civil e corre na Justiça Comum estadual, embora exista decisão do TST em sentido diverso. Se você quer discutir vínculo de emprego e verbas trabalhistas, aí sim é Justiça do Trabalho — e é outra estratégia.
Quanto tempo leva para a conta voltar?
Com tutela de urgência concedida, o juiz costuma fixar prazo curto, contado em dias, sob pena de multa diária. Sem liminar, o caso fica para a sentença.
Consigo reativar uma conta desativada "permanentemente"?
Sim. O termo usado pela plataforma não vincula o Judiciário. Há decisões reativando cadastros encerrados em definitivo pela empresa.
Tenho direito a receber pelos dias parado?
Os lucros cessantes são reconhecidos quando você demonstra a renda anterior, normalmente pelos extratos de repasse do próprio aplicativo. O valor depende da média comprovada e do tempo de bloqueio.
E se o bloqueio foi por denúncia falsa de passageiro?
É uma das situações em que o pedido costuma ser mais forte, porque cabe à plataforma demonstrar o que apurou. Denúncia isolada, sem investigação, dificilmente sustenta o descredenciamento de um motorista bem avaliado.
Fui bloqueado por causa de homônimo na checagem de antecedentes. Resolve?
Esse cenário já foi julgado favoravelmente, inclusive com condenação da plataforma a danos morais e materiais, como no caso da Paraíba citado acima. Certidões negativas em seu nome são a prova central.
Vale a pena para entregador, e não só para motorista?
O raciocínio jurídico é o mesmo: contrato de intermediação digital, bloqueio sem justificativa comprovada, impedimento de trabalhar. A discussão sobre competência e sobre os fundamentos segue a mesma linha.
Posso esperar o julgamento do STF sobre vínculo?
Não há razão para esperar. Aquele julgamento trata de vínculo de emprego e continua sem data. A sua ação de reativação é civil e independe dele — e, enquanto você espera, o prazo de urgência corre contra o seu pedido.
Conclusão
Ter a conta bloqueada no aplicativo é perder o emprego sem carta de demissão, sem aviso prévio e sem ninguém para explicar o motivo. O carro continua custando, as contas continuam vencendo, e do outro lado só existe um chat automático.
O que costuma faltar não é direito, é velocidade e prova. O motorista que salva os prints no primeiro dia, reúne os extratos, registra a contestação e entra com o pedido de urgência na primeira semana chega ao juiz com um caso sólido. O que espera dois meses para procurar um advogado chega com o mesmo direito e um argumento de urgência bem mais fraco.
Se você está nessa situação agora, o mais urgente não é ler mais artigos sobre o assunto. É salvar as telas antes que o acesso ao histórico se feche.
Está com a conta bloqueada e sem poder rodar? Quanto antes o pedido for feito, mais forte ele é.